Nossa história

“uma andorinha só não faz verão mas pode acordar o bando todo”
Binho

Localizada entre os bairros Jd. Rebouças e Jd. Umarizal, região do Campo Limpo a Brechoteca - Biblioteca Popular está situada entre as duas favelas da região, - a Itamarati e a Chapenas - precisamente na entrada da favela Itamarati, local de grande circulação e de fácil acesso aos moradores da região.
A Brechoteca iniciou suas atividades em 2010, pelas mãos do poeta e articulador cultural Robinson Padial (Binho, do Sarau do Binho) e de sua irmã Lola. Alugam um salão e montam a biblioteca comunitária juntamente com um brechó, realizando empréstimos de livros e ações culturais e de incentivo à leitura como premiações, circulação da bicicloteca, almoços literários e exibições de filmes -Cine Beira Rio.   

Inicialmente as vendas de artigos do brechó manteve os gastos da biblioteca, garantindo, com certa dificuldade, a manutenção das despesas. Nasceu aí o nome Brechoteca: brechó-biblioteca.

Em 2012 por motivos pessoais a Lola não pode manter a biblioteca aberta, ficando alguns meses fechada, e em outubro de 2012, Bianca que conheceu a Brechoteca e se encantou com o trabalho realizado, escreve para Poeta Binho contando sobre seu projeto de incentivo à leitura e se seria possível realizar o projeto na Brechoteca e somar com o trabalho já existente. Daí pessoas chegam e um grupo se forma -  Cris Lima, Mara Esteves, Abraão Antunes, Djeanne Firmino, Mirela Santos e Bianca Pereira frequentadores e amigos do Sarau do Binho, nasce então o Coletivo Achadouros de Histórias,
A adaptação do ambiente que comporta a biblioteca num espaço acolhedor e que fosse, por si só, um convite à leitura, preparado para receber o leitor para um momento íntimo com o livro - ação inicial do Coletivo Achadouros de Histórias - foi elaborada e executada durante nossa aproximação com a comunidade do entorno. Durante a adequação do espaço, realizamos mediações de leitura e brincadeiras com as crianças, atividades construídas coletivamente e efetivadas com a participação dos leitores - em sua maioria crianças de 03 aos 15 anos.


Desde 2012, nosso grupo é o responsável pela gestão do espaço, elaboração e articulação das atividades, tendo como foco as possibilidades de acesso ao livro, à leitura, à ressignificação da leitura de mundo e ação na história.
Em 2013 inscrevemos nossa proposta de trabalho ao Programa VAI (Secretaria Municipal de Cultural) e fomos, assim, contemplados com o Projeto Achadouros de Histórias. Durante o desenvolvimento do projeto nesse ano, discutimos e elaboramos ações que dialogassem com o hábito da leitura, propiciando a aproximação com os gêneros literários por vezes distantes do acesso popular - como a literatura africana e nativa (indígena).

Para alcançar os objetivos propostos, realizamos mediações de leitura na biblioteca e nas vielas próximas. Contações de histórias e encenações teatrais com a participação de grupos e iniciativas de artistas locais, brincadeiras e danças de roda, oficinas artísticas , cinema e saraus bimestrais - atividade realizada prioritariamente pelas crianças que, em sua maioria, recitavam, liam e cantavam, portanto, agentes atuantes na prática do compartilhamento de seus saberes no contato com a leitura.
O ano de 2014 nos apresentou novos desafios. Novamente fomos contemplados pelo VAI I para seguirmos com as atividades na Biblioteca. Mas perdemos uma pessoa muito importante para o grupo, Djeanne Firmino. Com o seu falecimento abrupto, tivemos que, junto com as crianças frequentadoras da biblioteca (também muito vinculadas à ela), ressignificar o espaço, a falta de uma pessoa tão envolvida e querida e até mesmo os sentidos das nossas buscas naquele espaço: sede de encontros, de conhecer e ressignificar histórias: Achadouros de histórias.

Em 2015 grande foi a comemoração ao sermos novamente contemplados pelo Programa Vai, agora na modalidade II. O que possibilitou ampliar e dar continuidade às atividades desenvolvidas nos anos anteriores, à equipe, e à rede no território com o fortalecimento das trocas entre os parceiros já mencionados e novas articulações envolvendo a Emef Dr. Sócrates, a UBS  Jd. Olinda, CRAS e CREAS (a partir do acompanhamento de caso), Parque dos Eucaliptos, Parque Alfredo Volpi, Coletivo Parque de Bambu, Coletivo Aqui que a Gente Brinca, lideranças comunitárias e moradores atuantes na área da educação, assistência social e agroecologia.
O apoio do Programa Vai possibilitou a reforma do espaço da Biblioteca, proporcionando um ambiente ainda mais aconchegante e acolhedor, fazendo com que mais pessoas notassem esse espaço de cores, estantes cheias de livros e crianças brincando. A reforma aproximou o público que antes sequer notava ou não entendia o que acontecia ali, e agora chega, pergunta e em alguns casos sai com pelo menos um livro emprestado. O impacto foi direto e significativo no número de leitores e empréstimos de livros.

Implantamos a metodologia de assembleias democráticas para discutir e solucionar as questões que envolvem a dinâmica da Biblioteca e as relações entre os leitores. Nesses espaços de fala e reflexão, o diálogo franco é estabelecido. A responsabilidade individual e coletiva é estimulada e são experienciados valores democráticos, da cultura de paz e da justiça restaurativa, sempre de maneira lúdica, ampliando horizontes entre os participantes, afetando as relações interpessoais no dia-a-dia e ampliando sentimentos de pertencimento e responsabilidade, sobretudo que afloram dentro da Biblioteca deles.

Outra ação importante foi o plantio na beira do Córrego  Olaria - nosso “Jd. Cultural das Flores” (nome dado por um leitor de 12 anos), que ressignificou a relação dos moradores com o lugar (antes um ponto de descarte de lixo) e aproximou o público adulto, assim como a realização da Rua de Lazer em parceria com o Coletivo Aqui que a Gente Brinca.

Neste ano de 2016 continuamos na luta por manter o espaço aberto, em busca de recursos, apoios e parcerias.

Seguimos sonhando...

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